As festas de fim de ano se aproximam, o verão entra no horizonte e a agenda começa a ganhar compromissos: casamentos, formaturas, confraternizações, viagens. Entre uma roupa que ficou mais justa e a expectativa de reencontrar amigos, surge um pensamento: “Preciso emagrecer. E precisa ser logo.”
É nesse momento que as promessas rápidas encontram espaço. A dieta que alguém garante ter funcionado, o chá anunciado como emagrecedor, os treinos intensos para compensar meses de pouca atividade, a medicação indicada por uma conhecida. O desejo de chegar bem a uma ocasião especial pode se transformar em uma corrida contra o próprio corpo.
Para o médico David Raspini, a primeira atitude deve ser entender o ponto de partida, antes de estabelecer a linha de chegada.
“Eu não gosto de prometer um número de quilos antes de avaliar a pessoa”, afirma. A avaliação considera o tempo disponível, a composição corporal, o histórico de saúde, a rotina e o objetivo de quem procura atendimento.
Isso não significa que seja preciso abandonar o desejo de emagrecer para uma data importante. Com acompanhamento adequado, é possível trabalhar em direção ao peso desejado, desde que essa meta seja compatível com a saúde da pessoa. Em alguns casos, ela pode ser alcançável no período disponível; em outros, será necessário ajustar o prazo ou o próprio objetivo.
Quando a pressa orienta as escolhas
Uma mudança radical na alimentação ou na rotina de exercícios pode parecer a solução quando faltam poucas semanas. Mas um plano difícil de sustentar tende a tornar esse período ainda mais desgastante.
Chás e produtos anunciados como emagrecedores não substituem uma avaliação. Da mesma forma, a experiência de outra pessoa com um medicamento não determina se ele é adequado para quem deseja perder peso. A indicação precisa considerar necessidades clínicas, riscos e acompanhamento.
O cuidado também envolve olhar além da balança. Reduzir peso e preservar massa muscular são aspectos que precisam ser considerados juntos no planejamento.
Acompanhar a composição corporal permite avaliar informações que o peso, sozinho, não mostra.
Para algumas pessoas, a meta pode ser emagrecer. Para outras, melhorar hábitos, acompanhar medidas e sentir mais conforto na rotina pode fazer mais sentido. Essa definição individual ajuda a direcionar o esforço para o que realmente importa em cada caso.
Ainda dá tempo de começar?
Ter um evento próximo pode ser uma boa motivação para buscar ajuda. O primeiro passo é conversar sobre o que se deseja e entender o que pode ser feito com segurança, sem transformar a data em uma exigência de resultado.
O acompanhamento permite organizar a estratégia, avaliar a evolução e fazer ajustes.
Alimentação, atividade física e, quando houver indicação, tratamento medicamentoso precisa fazer parte de um cuidado coerente com a realidade de cada pessoa.
“A data ajuda a organizar a estratégia. Ela não muda a prioridade: segurança primeiro”, destaca Dr. David.
O verão e as festas podem marcar o começo dessa mudança. Para quem deseja emagrecer, a oportunidade está em usar essa motivação para construir um cuidado que continue fazendo sentido quando a agenda de celebrações chegar ao fim.